Totalmente actual, aqui têm Nevoeiro, poema da terceira parte da Mensagem, O Encoberto. "Pessoa ele-mesmo" assinou esta obra.
Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra
Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Nevoeiro
Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra
Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!
Fernando Pessoa

3 comentários:
Oriundo dos 15 min de fama dos portugueses...onde tiveram td e hj estamos sem nada...
Um poema brilhante,uma obra perfeita... É o Quinto Império e esse império somos nós! "É a Hora"!
"Mens agitat molem"!
Os meus parabéns.
é nas alturas de nevoeiro que El Rei pode fazer a surpresa e aparecer...
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