domingo, 9 de novembro de 2008

Poema da semana

Totalmente actual, aqui têm Nevoeiro, poema da terceira parte da Mensagem, O Encoberto. "Pessoa ele-mesmo" assinou esta obra.


Nevoeiro

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer -

Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra
Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,

Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.

Ó Portugal, hoje és nevoeiro...
É a Hora!


Fernando Pessoa





3 comentários:

Lolo disse...

Oriundo dos 15 min de fama dos portugueses...onde tiveram td e hj estamos sem nada...

Anónimo disse...

Um poema brilhante,uma obra perfeita... É o Quinto Império e esse império somos nós! "É a Hora"!

"Mens agitat molem"!

Os meus parabéns.

Patrícia loira=) disse...

é nas alturas de nevoeiro que El Rei pode fazer a surpresa e aparecer...